19 de agosto de 2011

DOIS CORAÇÕES A BATER NUM SÓ; parte 5.



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Desci subitamente as escadas enquanto informava a 'família' que a campainha era para mim.
Respirei fundo e abri a porta.
«olá Ana.»
O meu coração andou mil, duzentos, trezentos.., incontáveis.
O Duarte estava à porta da minha casa, a olhar para mim, com aqueles olhos mais castanhos, mais serenos, mais.., mais.. mais perfeitos.
«Ana?»
Tinha ficado parada no tempo.
«sim? olá.. olá Duarte»
Aproximo-me dele e dou-lhe um beijo na parte direita da face.
O meu pai vem ter à porta com o seu ar de empresário e com as mãos nos bolsos.
Até que estende a mão, num comprimento a Duarte.
«boa noite.»
«boa noite senhor Salgueiros.»
Engoli em seco.
«divirtam-se.»
Os meus olhos brilharam e eu abracei o meu pai, como já não fazia desde os meus dez anos.
Fechei a porta. Agora era só eu e o .. Duarte.
«então Ana, tens experiência com motas?»
«motas?!»
«sim. hoje vais andar numa.»
Olho em direcção à estrada e a mota do Duarte, estava lá. Não fazia ideia que ele tinha uma mota.
«mas..»
«oh Ana, achas que íamos à praia a pé?»
«realmente.»
Ele soltou um sorriso e eu sorri de volta.
Ele subia com charme para cima do bicharoco, tão o jeito de Duarte.
«da-me a mão, eu ajudo a subir.»
Dei-lhe a mão, um pouco envergonhada e ele puxou-me levemente para cima do assento.
«dava-me mais segurança que te agarrasses a mim Ana.»
Eu soltei uma gargalhada e pus os meus braços a envolver a barriga levemente musculada do Duarte.
«estás bem?»
«hum hum.»
«pronta?»
«nasci pronta.»
Ele riu e ouviu-se o acelerador da mota, ainda estava nova.
Sentia o vento nos meus cabelos e o corpo quente do Duarte, o corpo que eu envolvia com receio de exagerar.
Chegamos à praia com a velocidade da luz. Ele estacionou e pediu para eu sair.
Quando pousei os pés nos chão senti as minhas pernas a latejar. O Duarte agarrou-me na cintura.
«estás bem Ana?!»
«estou.. ai estou..»
Ele soltou uma gargalhada e começou a caminhar. Assim o segui.
«então rapariga? fala-me de ti.»
«de mim?»
E olhei para ele.
«sim. qual é o espanto?»
E olhou para mim.. com aquele olhar..tão sedutor.
«bem, os meus pais são separados e a minha mãe está na Argentina. tenho a pior madrasta do mundo, um irmão completamente deprimente e a minha avó morreu à dois meses atrás. tenho a pior vida de sempre.»
Ele olhou para o chão e depois olhou em frente. Deu-me a mão e puxou-me.
«Anda comigo.»
Correu, puxando o meu correr atrás de si e sentou-se na areia.
«achas que a tua vida é assim tão má?»
«a minha vida é péssima.»
«ai sim? então do que me dizes de um rapaz que nunca conheceu a própria família, mas viu a mãe morrer, que foi criado num orfanato e depois uma casa de correcção e a única pessoa que lhe resta é a irmã de 3 anos e uma família adoptiva?»
O meu coração ficou pleno, uma nuvem invadiu a minha alma. Fiquei perdida.
«oh Duarte..»
Passei-lhe suavemente a mão nas costas. Não sabia que dizer ou fazer.
«a tua vida comparada com a minha, não é assim tão má.»
«sim, já vi que não..»
«quando te vi.. vi uma oportunidade de te corrigires, vi um exemplo de mim, mas que podia ter um destino melhor..Sim, porque eu já fumei, já bebi, já tomei droga, já assaltei..»
Cada vez ficava mais impressionada com ele. Encanta-me mais Duarte..
«e isso faz de ti a excelente pessoa que és hoje Duarte..»
Ele olhou para mim, parecia-me ternura.
«eu não sou perfeito.»
«és mais do que imaginas..»
Ele sorriu e baixou a cabeça, ainda a sorrir.
«encantas-me Duarte.»
Não consegui evitar dizê-lo, já estava mais calma, afinal também era vulnerável, como eu.
Ele olhou para mim.
A cabeça dele ia-se aproximando da minha, os meu lábios pediam o beijo dele, e os meus olhos tão focados nos do Duarte, perderam-se dentro de si e a mão do Duarte envolvia já o meu pescoço..
Estávamos tão perto..


{espero que gostem riquezas, desculpem ontem não ter continuado, 
mas tive com o boyf e estava cansadinha, ahaha.
ly.}