1 de outubro de 2011

DOIS CORAÇÕES A BATER NUM SÓ; parte 10.

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Enquanto estava envolvida nos braços do Duarte, o meu pensamento estava em si, não tinha vagueado, ou tinha, mas menos dolorosamente, para sítios tristes, ou sítios que me fizessem relembrar todo o passado maldoso, pensava que quando chegasse a casa, tinha de encontrar as paredes pretas, os quadros da minha infância e a porta do quarto da minha avó que ainda dizia: 'D. Joana.' Tudo isto porque eu fiz questão de não tirar a única coisa que lhe pertencia de dentro de minha casa, assim como todas as memórias fotográficas que estavam dentro de uma malinha de pano que ela tinha cozido para mim, e tudo isso estava de baixo da minha cama, juntamente com os brincos de ouro que ela comprou para mim, na ourivesaria perto até, da casa do Duarte. Tinha andado um mês sem ir beber o seu galão matinal, tudo para juntar o dinheiro que precisava para os brincos. Tenho tanto medo de os perder, que nunca os pus, mas prometi pô-los no dia do meu casamento, e vai ser assim. A única coisa que irá faltar, é mesmo a presença dela, porque era ela que me aconchegava, que me ouvia sem julgar, que sabia sorrir-me sem sarcasmo. Ela era perfeita e sinto saudades.
«Ana?»
O Duarte estava a olhar para mim com os olhos de mel, mais abertos que o costume e eu senti as mãos macias dele a passar-me na cara.
«desculpa.. não queria estar a chorar.»
«não sejas tonta, sabes que eu estarei aqui para ti, para o que precisares.»
E sorriu-me e esse sorriso, transmitiu-me o maior calor, o calor que me faltava já à muito, o calor que de facto sempre desconheci.
«eu posso contar-te o que se passou..»
Antes de me deixar proceder, puxou-me para ele e tapou-me a boca suavemente.
«eu não preciso que me digas nada, só preciso de dizer eu, limpa-las eu, e atenuar um pouco.»
Instantaneamente deixei de chorar, sorri-lhe e voltei a deitar a minha cabeça perto do pescoço dele, enquanto recebi-a beijos leves no cabelo, sentia as mãos dele percorrer o meu cabelo até ás pontas e o suspirar dele ao meu ouvido e o coração dele, batia em sintonia nas minhas costas e eu gostava, porque nunca tinha sentido nada tão intenso e perfeito como tal.
Depois apercebi-me que chorar ao lado dele, era mais fácil, era mais leve e não fazia pesar os olhos, porque a cada lágrima que escorresse, ele, calmamente e só com o seu jeito natural a fazia desaparecer, como um pássaro no céu alto.
«Ana?»
«sim Duarte?»
«não adormeças porque não tens uma roupa seca, e podes constipar.»
«eu não adormeço com a tua presença..»
«porquê? sou assim tão grosseiro?»
Risos.
«não, és valioso demais, para eu perder um minuto de sentir-te bem presente.»
Senti a cara dele aquecer, as bochechas dele ficaram mais vermelhas e eu dei-lhe um beijo de leve no rosto, que achava eu tão lindo, tão Duarte.
Passado um pouco, ele começou a alisar um pouco a areia irritada e com o seu dedo, com o seu jeito tão Duarte, começou a escrever, e até a escrever na areia a letra dele, conseguia ser mesmo Duarte.
Ele leu-me o que escreveu ao meu ouvido, seduzindo-me.
«amo-te Ana.»
Senti um arrepio na minha barriga e um frio nas minhas costas, senti o amor.
«amo-te todo Duarte, amo-te todo.»
E depois daquele momento, não se ouviram mais vozes.
Ouvia o vento, o mar, estávamos quentes e a ouvir o coração um do outro, apenas.


[desculpem a enorme e gigantesca demora, 
mas espero que tenham gostado,
ly !]

5 comentários:

Daniela disse...

LINDOOOOOOOOOOO! *o*

Agostinho Barros disse...

OBRIGADÃOOO <3

Rita Carvalho disse...

Ohhh, gostei muito!

● Mysterious.Girl disse...

estou a adorar , vou seguir (:

words. disse...

vai acabar por aqui? por favor diz-me que nao :o