17 de agosto de 2011

DOIS CORAÇÕES A BATER NUM SÓ; parte 4.

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Olhei para ele, tentando fingir alguma insignificância quanto a presença dele.
«olá Duarte.»
Já me começavam a tremer as pernas.
«posso sentar-me?»
«claro que sim.»
Estava a explodir de emoções fortes, mas tentava controlar-me.
Ficamos calados, o único que falava era o silêncio e mesmo esse não sabia o que era melhor dizer naquela altura.
Até que Duarte o rompeu.
«gostava de te fazer uma proposta..»
Olhou para mim, virando o corpo para a direita.
«sim.. diz lá»
«bem..., é assim..»
Vi-o engolir em seco.
«conta lá Duarte.»
Soltei uma gargalhada.
«gostarias de vir dar uma volta comigo hoje à noite? sei lá, ir até à praia..»
Não sei o que estava a sentir naquele momento.
Sentia borboletas no estômago, sentia o sangue a circular mais depressa, sentia o meu coração fora do seu clima, sentia calor.
«gostava muito.»
«a que horas nos encontramos em tua casa?»
«ás 21h?»
«lá estarei.»
Ele piscou-me o olho, deu o último sorriso caloroso, levantou-se calmamente e foi ter com os amigos.
Saí do autocarro, as pernas continuavam a tremer e eu precisava de falar era mesmo com a Jasmine.
«Jasmine! Jasmine!»
«Ana? que foi?»
«o Duarte...»
«sim. que tem o Duarte?»
«o Duarte convidou-me para sair!»
«não acredito! mesmo?»
«mesmo! sou a mulher mais feliz do mundo!»
Durante o dia pensava e repensava em tudo que podia acontecer.
Apesar de tudo dar certo, também pensava em coisas más. Costumo ser muito negativa.
Apareceu à minha frente várias vezes ao dia, mas nunca me falava. Apenas sorria e lançava aquele olhar torrado, que me encantava. Não estou apaixonada, estou encantada.
Ao fim do dia, estava à espera do autocarro que foi levar os primeiros alunos, ele estava a dirigir-se para o portão da escola. Continuei a fingir a indiferença.
Por um instante senti a mão dele a envolver o meu braço, senti os lábios dele a dar-me um leve beijo no cabelo e senti a suavidade da pele dele quando me largou sem vontade, pois a mão dele ainda me percorreu o braço.
Corri para casa e até a lentidão do autocarro me incomodava hoje.
Quando lá cheguei encontrei a minha madrasta sentada no sofá, com os seus óculos pousados na ponta do seu grande nariz e nas suas mãos mais um livro grosso de romantismo que no fim lhe desperta sempre aquelas lágrimas de crocodilo que ela usava para se fazer de vitima quando o meu pai chegava a casa. Contando-lhe que eu e o meu irmão estávamos descontrolados, mas isso era mentira, ela é que não sabia ser uma boa madrasta.
Subi as escadas até ao meu quarto. Ouvia o psicopata do meu irmão no quarto ao lado, a cantar Bob Marley e a compor músicas com a guitarra eléctrica nova que o pai lhe tinha dado pelos anos. Não imaginava o barulho que pairava naquele andar.
Entrei no meu quarto e fechei a porta.
Desarrumei o meu armário todo e encontrei as minhas calças de ganga mais justas, a camisola caí-caí que a avó me tinha oferecido e aquele casaco branco que tinha comprado à pouco tempo.
Tomei banho demorado, sequei o cabelo com o ferro, para ficar comprido e bem esticado.
No meu pensamento, já devem fazer uma ideia quem o preenchia. Pois, o Duarte e os olhos tão castanhos e profundos do Duarte e aquele cheiro, aquele cheiro que eu desconhecia, aquele que estava na minha camisola, aquele cheiro era do Duarte, é tudo do Duarte. A minha vida, vê um Duarte.
Preparei-me, como nunca o tinha feito e desci simplesmente para comer uma taça de cereais, não queria ir toda inchada.
Voltei para o quarto e fumei um cigarro para acalmar os nervos, antes de lavar os dentes e comer um rebuçado da tosse. Podia simplesmente mascar uma pastilha de mentol, mas há um motivo porque eu prefiro o rebuçado e esse é porque este saquinho foi dado pela minha avó, pouco tempo antes dela partir. Ela soube que eu fumava e uma noite, pôs-me na mesinha de cabeceira isto, agora antes de deitar ponho um sempre na boca. Parece que me acalma.
Lavo os dentes e sento-me na cama.
Pouco tempo depois de trincar o último pedacinho do rebuçado, ouço a campainha.
É ele! Eu tenho a certeza, a certeza..

{espero que tenham gostado riquezas,
esta parte já foi maiorzinha, ly.}

10 comentários:

catarina barbosa. disse...

amooooooo *W*

Rita Carvalho disse...

Embora estivesse à espera que a rapariga fosse uma personagem com uma personalidade mais difícil, estou a gostar muito!

Rita Carvalho disse...

ahahahaa!

Soraia disse...

Estou a gostar querida!

ana patrícia disse...

muito obrigada!
ainda não li as outras partes da história, mas gostei muito. quando tiver tempo vou tentar ler as outras.

ana patrícia disse...

ora essa. :)

ana patrícia disse...

oh, obrigada :)

Soraia disse...

De nada :D

Rita disse...

Gostei claro, continuo a acompanhar! Agora colei na história.
Olha, mas achas mesmo que está cheio de sentimento?

Rita disse...

Sendo assim, muito obrigado! :)